Tsc, tsc, tsc... relapsa! Blog abandonado pela ingrata de sua dona. E agora que ela precisa, lá está ele de braços e páginas abertas para recebê-la...
Muito provavelmente, como os momentos de necessidade serão muitos daqui pra frente, apelarei muitíssimo pra essa página em branco que sempre me recebeu tão carinhosamente em vários momentos nesses últimos anos.
Senti saudade, blog! Tentarei ser menos descuidada com você. Não prometo, porque você sabe como eu sou... Aliás, você sabe muito bem como eu sou.
Ah! Falando em saudade... se eu fosse escolher o sentimento dessa minha existência, esse sentimento certamente seria saudade. Mais bacana seria falar amor, não é? Mas não existe saudade sem amor. Ou a gente sente saudade do que não gosta?
Foi a saudade, essa velha conhecida, que me trouxe aqui, no meio da madrugada. A saudade que hoje me tirou da cama, me levou pra sala, me fez chorar por horas e agora me trouxe para o computador para falar sobre ela. Saudade essa que eu ainda nem estou sentindo. Mas sentirei, ah, como sentirei! Muito brevemente.
Para vocês me entenderem, tenho que contar há quanto tempo eu e saudade andamos juntas. Somos tão íntimas que senti-la não me assusta mais.
Minha primeira saudade veio junto com minha primeira mudança. Saí de Santo Anastácio, lugar onde eu tinha passado toda minha vida, de então 11 anos apenas, ficando pra trás um tiquinho da minha família e amigos de toda vida. Mas a saudade enorme, a que doeu mais, foi da Rê, minha melhor amiga de infância. Foi o primeiro pedaço de coração que eu deixei pra trás.
Aos 14 eu descobri o que era saudade de amor. Primeiro namorado, primeira separação e primeiro namoro a distância (não o último, rá! Porque comigo é assim!). Aquele aeroportozinho de Tucuruí... Doloroso e intenso como todo amor de adolescente deve ser. Cruel como toda saudade de namorado é. Conta telefônica interminável. Pai irado com a conta telefônica. Foi lindo e terrível. Prometi pra mim mesma que não passaria mais por isso.
Mas aí, vem esse nego e mexe com todas as minhas convicções. Segundo namoro a distância. Porque eu não aprendo. Porque eu pago língua. No início, era uma saudade gostosinha, já que era um namoro de fim de semana. Aquela saudade era só pra dar o temperinho certo ao final de semana que, normalmente, era de tirar o fôlego... até que veio a separação enorme! Ele no Pará e eu em Minas, dois duros anos. Comunicação difícil (vivíamos em uma época sem internet), distância impraticável. Foi a primeira saudade desesperada que eu senti.
Anos de namoro a distância. Aí ele já estava lá em São Paulo. Muito ônibus da Impala (a Cometa tinha baratas!), muitas despedidas em rodoviárias, muito choro, cartas, cartas, telefonemas, reencontros, despedidas... A Bresser era para mim a porta do paraíso e do inferno ao mesmo tempo. Dramático, romântico, intenso, como o maior amor da vida deve ser.
E aí ele veio pra perto de mim e eu decidi que, agora sim, nunca mais sentiria saudade.
E a vida, pra dar aquela liçãozinha me fez descobrir, há três anos a saudade irremediável. Que não tem telefone, e-mail, avião ou ônibus que dê jeito. Aquela que vem súbita e inexplicável é avassaladora. A morte do meu pai me fez descobrir isso. E me fez descobrir mais: a gente não decide quando a vida da gente vai virar. E a gente não renega a saudade nunca. Porque a saudade é companheira.
Pois bem. A vida de novo me prepara para a saudade. Saudade dos meus filhotes, do meu nego (mas a gente sabe viver com saudade e transformar isso em romance), da minha mãe, dos meus sobrinhos, dos meus irmãos. Dos amigos que eu vou deixar em BH.
E de uma vida linda, vivida em um lugar muito especial que será para mim sempre o lugar onde enterrei meu umbigo.
Balaio de Ideias
Terça-feira, Abril 26, 2011
Quarta-feira, Fevereiro 16, 2011
A etiqueta do chifre
Semana passada eu assisti ao 'Troca de Família' com a Clara Averbuck.
Eu normalmente não assistiria a um programa que vai ao ar às 23:15 horas, porque eu sou uma pessoa com sono eterno e acordo às 5:50 todos os dias. Então, faz as contas aí. Não rola. Aboli até mesmo o House da minha vida por causa de horário (e pela falta de TV a cabo).
Bom... mas o programa era com a Clara, uma guria inteligente, ácida, com um gosto musical fudido de bom, os blogs mais bacanas que eu conheço (olha o link aí do lado), e que não leva uma vidinha mais ou menos. E que, confesso, me faz até assistir BBB, já que sua atual empreitada é comentar o BBB no programa 'Tricô dos Broder' (www.tedouumdado.com.br). Aliás, eu não assisto BBB. Assisto ao 'Tricô dos Broder', que é com ela e ela é fantástica. Então, eu não sei quem é Maurício, Paulinha, Natália, Maria, Daniel, Adriana e Rodrigão. Eu sei quem é Bisso, Paulinhão, Natrálha, Meg, Bicha do Pântano, a Miss e o Miss.
Mas voltando ao 'troca' da Clara, muito mais legal que todas as edições do BBB. O assunto do programa foi a traição. Que sequer foi mostrada. O marido dela catou a mãe substituta e como tava todo mundo por ali, técnica, microfones, filha da Clara... deu merda. O programa não mostrou. Mas uma coisa eu posso dizer: a guria amava, era legal com o marido e não merecia ter sido traida de jeito nenhum. Menos ainda em sua própria casa. Em sua cama. Com sua filha no quarto ao lado.
Minhas considerações sobre o assunto são duas:
1º Machismo, muito machismo. Clara foi bombardeada de todos os lados porque ela a FOI TRAÍDA! Foi xingada na web, falaram que ela queria mídia. Velho, até onde eu entendo, o filho da puta é quem trai! Não quem é corno! E aposto que se ELA tivesse traído o marido, todo mundo tava passando a mãozinha na cabeça galhada do cara. Ô, tadinho!
A guria foi criticada porque na pia dela tinha louça suja! Teve uma festa (que a Record providenciou) de noite, a mina foi pra casa da outra família às 5 da manhã do dia seguinte...Caramba, o marido que ficou em casa não sabe lavar louça não? Cai o pinto se encarar um limpol e uma bucha? A louça de ontem lá em casa tá na pia até agora e ninguém tá falando nada. Porque eu e marido meu trabalhamos, levamos filhos no colégio, buscamos meninos e cuidamos da casa. Juntos. Casal muderno. Se marido meu chegar antes em casa, provavelmente ele lavará a louça. Se eu chegar antes, lavo eu! Simples e sem drama.
Não vou nem comentar as considerações tecidas acerca da filha de Clara, que também foi muito comentada na internet, por ter feito a mãe substituta penar. Só digo uma coisa: Catarina rules!
2º A Traição. Detesto traição. Mas não sou moralista. Sei que quase todo mundo já traiu ou já levou um corno. Eu, com certeza, já passei pelas duas coisas e digo o seguinte: me senti pior por trair, porque quem eu traí não merecia ser traído. E provoquei mágoa em alguém bacana, a fofoca rolou. Foi uma feiura. Não repito. Bem feito pra mim. Mea culpa, mea culpa! Já quando me deram corno (já fui mais traída do que traí, obviamente. Não sou nem tão má nem tão gostosa assim), mandei o cara passear. Não era ninguém que valesse a pena. De qualquer jeito, eu era muuuito nova nas duas situações (estamos aqui falando de adolescência).
Ninguém deveria chifrar. É triste, estraga o relacionamento um tiquinho mesmo que o corno não tome conhecimento. Mas muito pior do que fazer, é tomar! E muito pior do que tomar, é saber que tomou! Dá uma ressaca moral terrível. É humilhante até quando o traidor não é o grande amor da sua vida.
Aí é que entra minha teoria: Se traiu, foi uma escorregadinha, quer continuar a relação com o traído, esquece que traiu. Faz de conta que não aconteceu. Sofra sua culpa calado e sem dar bandeira.
E definitivamente não tente se abrir com o seu amado chifrudo.
Porque isso de contar que traiu, pode parecer nobre, mas na verdade é a maior das sacanagens, maior até do que a traição. Quer dizer: amor, te amo demais, mas te chifrei, mas eu te amo, quero que você continue comigo apesar da minha sacanagem, eu te amo, mas não consigo conviver com a MINHA CULPA e por isso estou jogando toda ela pra cima de você. Eu te amo. E você que estava em sua vidinha pacata, feliz, iludido, agora vai ter que conviver com todo esse amagor, essa raiva e essa queimação no estômago, porque eu resolvi ser muito SINCERO! Porque eu te amo. Porque o que importa é a LEALDADE. Te amo!
Filhadaputagem, tá?
Pra mim essa sinceridade e lealdade e sentimento de culpa na verdade são um grande sadismo. Vontade de ver o outro no chão. É querer testar o amor, ver se a pessoa fica contigo depois de um corno.
Quer saber? Enfie a sinceridade e a lealdade e o sentimento de culpa no cu!
Se eu continuaria o relacionamento após uma traição? Depende muito! Muito! Já falei muito que não, que o amor não sobrevive. Mas atualmente, depois de ter vivido tantos anos e ter uma vida linda com alguém, eu iria considerar a hipótese sim. Dependendo de como foi, com quem foi, por que foi, quando foi... Mas uma coisa é certa: a partir do momento que eu tivesse notícia da traição, alguma coisa se estragaria, amargaria no meu amor. Eu amaria, mas amaria mais amarguinho.
Eu sempre discordei do Vinícius de Morais neste ponto: o amor pode até ser bom se doer, mas é muito melhor quando não dói.
Traiu, então seja educado, tenha, digamos, ética: não conte! Seja bacana com o seu parceiro, caso você ainda queira ter um futuro com ele. E não deixe ninguém do círculo de amizade comum de vocês dois saber. Porque saber através de fofoca é tão doloroso quanto saber pela boca do traidor.
Quer trair, faça bem feito! Ou então mantenha essa calça fechada, essa saia abaixada, que dá muito menos trabalho.
Mas isso é só a minha opinião. E faz parte do livro de auto-ajuda que eu estou escrevendo para ver se fico rica um dia. A Etiqueta do Chifre. Como proceder após pular a cerca.
Ah! Marido meu não me corneou, fiquem tranquilos. Nem eu o corneei. Ou somos muito ambos discretos, afinal, já temos os originais do livro em casa.
Eu normalmente não assistiria a um programa que vai ao ar às 23:15 horas, porque eu sou uma pessoa com sono eterno e acordo às 5:50 todos os dias. Então, faz as contas aí. Não rola. Aboli até mesmo o House da minha vida por causa de horário (e pela falta de TV a cabo).
Bom... mas o programa era com a Clara, uma guria inteligente, ácida, com um gosto musical fudido de bom, os blogs mais bacanas que eu conheço (olha o link aí do lado), e que não leva uma vidinha mais ou menos. E que, confesso, me faz até assistir BBB, já que sua atual empreitada é comentar o BBB no programa 'Tricô dos Broder' (www.tedouumdado.com.br). Aliás, eu não assisto BBB. Assisto ao 'Tricô dos Broder', que é com ela e ela é fantástica. Então, eu não sei quem é Maurício, Paulinha, Natália, Maria, Daniel, Adriana e Rodrigão. Eu sei quem é Bisso, Paulinhão, Natrálha, Meg, Bicha do Pântano, a Miss e o Miss.
Mas voltando ao 'troca' da Clara, muito mais legal que todas as edições do BBB. O assunto do programa foi a traição. Que sequer foi mostrada. O marido dela catou a mãe substituta e como tava todo mundo por ali, técnica, microfones, filha da Clara... deu merda. O programa não mostrou. Mas uma coisa eu posso dizer: a guria amava, era legal com o marido e não merecia ter sido traida de jeito nenhum. Menos ainda em sua própria casa. Em sua cama. Com sua filha no quarto ao lado.
Minhas considerações sobre o assunto são duas:
1º Machismo, muito machismo. Clara foi bombardeada de todos os lados porque ela a FOI TRAÍDA! Foi xingada na web, falaram que ela queria mídia. Velho, até onde eu entendo, o filho da puta é quem trai! Não quem é corno! E aposto que se ELA tivesse traído o marido, todo mundo tava passando a mãozinha na cabeça galhada do cara. Ô, tadinho!
A guria foi criticada porque na pia dela tinha louça suja! Teve uma festa (que a Record providenciou) de noite, a mina foi pra casa da outra família às 5 da manhã do dia seguinte...Caramba, o marido que ficou em casa não sabe lavar louça não? Cai o pinto se encarar um limpol e uma bucha? A louça de ontem lá em casa tá na pia até agora e ninguém tá falando nada. Porque eu e marido meu trabalhamos, levamos filhos no colégio, buscamos meninos e cuidamos da casa. Juntos. Casal muderno. Se marido meu chegar antes em casa, provavelmente ele lavará a louça. Se eu chegar antes, lavo eu! Simples e sem drama.
Não vou nem comentar as considerações tecidas acerca da filha de Clara, que também foi muito comentada na internet, por ter feito a mãe substituta penar. Só digo uma coisa: Catarina rules!
2º A Traição. Detesto traição. Mas não sou moralista. Sei que quase todo mundo já traiu ou já levou um corno. Eu, com certeza, já passei pelas duas coisas e digo o seguinte: me senti pior por trair, porque quem eu traí não merecia ser traído. E provoquei mágoa em alguém bacana, a fofoca rolou. Foi uma feiura. Não repito. Bem feito pra mim. Mea culpa, mea culpa! Já quando me deram corno (já fui mais traída do que traí, obviamente. Não sou nem tão má nem tão gostosa assim), mandei o cara passear. Não era ninguém que valesse a pena. De qualquer jeito, eu era muuuito nova nas duas situações (estamos aqui falando de adolescência).
Ninguém deveria chifrar. É triste, estraga o relacionamento um tiquinho mesmo que o corno não tome conhecimento. Mas muito pior do que fazer, é tomar! E muito pior do que tomar, é saber que tomou! Dá uma ressaca moral terrível. É humilhante até quando o traidor não é o grande amor da sua vida.
Aí é que entra minha teoria: Se traiu, foi uma escorregadinha, quer continuar a relação com o traído, esquece que traiu. Faz de conta que não aconteceu. Sofra sua culpa calado e sem dar bandeira.
E definitivamente não tente se abrir com o seu amado chifrudo.
Porque isso de contar que traiu, pode parecer nobre, mas na verdade é a maior das sacanagens, maior até do que a traição. Quer dizer: amor, te amo demais, mas te chifrei, mas eu te amo, quero que você continue comigo apesar da minha sacanagem, eu te amo, mas não consigo conviver com a MINHA CULPA e por isso estou jogando toda ela pra cima de você. Eu te amo. E você que estava em sua vidinha pacata, feliz, iludido, agora vai ter que conviver com todo esse amagor, essa raiva e essa queimação no estômago, porque eu resolvi ser muito SINCERO! Porque eu te amo. Porque o que importa é a LEALDADE. Te amo!
Filhadaputagem, tá?
Pra mim essa sinceridade e lealdade e sentimento de culpa na verdade são um grande sadismo. Vontade de ver o outro no chão. É querer testar o amor, ver se a pessoa fica contigo depois de um corno.
Quer saber? Enfie a sinceridade e a lealdade e o sentimento de culpa no cu!
Se eu continuaria o relacionamento após uma traição? Depende muito! Muito! Já falei muito que não, que o amor não sobrevive. Mas atualmente, depois de ter vivido tantos anos e ter uma vida linda com alguém, eu iria considerar a hipótese sim. Dependendo de como foi, com quem foi, por que foi, quando foi... Mas uma coisa é certa: a partir do momento que eu tivesse notícia da traição, alguma coisa se estragaria, amargaria no meu amor. Eu amaria, mas amaria mais amarguinho.
Eu sempre discordei do Vinícius de Morais neste ponto: o amor pode até ser bom se doer, mas é muito melhor quando não dói.
Traiu, então seja educado, tenha, digamos, ética: não conte! Seja bacana com o seu parceiro, caso você ainda queira ter um futuro com ele. E não deixe ninguém do círculo de amizade comum de vocês dois saber. Porque saber através de fofoca é tão doloroso quanto saber pela boca do traidor.
Quer trair, faça bem feito! Ou então mantenha essa calça fechada, essa saia abaixada, que dá muito menos trabalho.
Mas isso é só a minha opinião. E faz parte do livro de auto-ajuda que eu estou escrevendo para ver se fico rica um dia. A Etiqueta do Chifre. Como proceder após pular a cerca.
Ah! Marido meu não me corneou, fiquem tranquilos. Nem eu o corneei. Ou somos muito ambos discretos, afinal, já temos os originais do livro em casa.
Quinta-feira, Fevereiro 03, 2011
2011
Sem planos, só anseios:
Saúde, sanidade, paz e amor. E se não for pedir muito 'um trocado pra dar garantia'.
Saúde, sanidade, paz e amor. E se não for pedir muito 'um trocado pra dar garantia'.
Segunda-feira, Novembro 22, 2010
Sobre meus meninos e o show no telhado
Sinceramente... não sei porque esse auê todo por causa do show do Paul McCartney. Nem acho que ele é isso tudo. Na verdade, nem nunca foi tanto assim. Mick não gostava dele. Keith não gostava dele. Me lembro porque eles sempre me diziam isso. Na verdade eles não gostavam do John também. Tinham uma certa simpatia pelo Ringo. Na verdade, eu os apresentei. Ringo é um cara legal.
Fui a um show do McCartney quando ele ainda tocava na banda. Isso foi em 1969. Naquela época, eu era uma artista de vanguarda, com pouco dinheiro e talento duvidoso. Mas era bem gostosinha. Eu vivia em Londres e tinha como amigos mais próximos Mick e Keith. Era um pouco mais velha e experiente que eles. Ensinei muita coisa para eles. Éramos um trio. Eu morava em um sotão no centro de Londres. Era meu cafofo. Eu dizia que era ateliê. Pensando bem, tirando a moldagem dos pênis dos dois e uma escultura de minha gata Angel, eu não produzi muita coisa. Mas estou me perdendo aqui... Bom... onde eu estava mesmo. Ah! Mick e Keith. Eles sempre estavam comigo. Vivemos loucuras. Os três. Ora com um, ora com outro. Ora os dois sem mim. De vez em quanto, tudo junto e misturado. Não me lembro de todas nossas loucuras. Ninguém daquela época se lembra de todas as loucuras que fez. Na verdade, eu usei tantas substâncias naquela vida que eu tenho bad trips em minha atual existência careta.
Bom... mas voltemos ao show da banda do McCartney. Eu era amiga do Ringo. Já contei isso? Cara legal, entrou naquela banda de gaiato, mas sabia aproveitar o que a vida tinha lhe oferecido. Ringo convidou, eu fui. Um lance no telhado da gravadora. Achei bacana o show ser no telhado. Curto telhados. Fui. Levei minha gata Angel. Ela também curte telhados.
Fui também pelas drogas e pela birita. Ringo me pediu pra não levar meus meninos (era assim que eu chamava Keith e Mick), porque poderiam causar problemas. Não contei pros meninos que eu ia. Foi um bom show. Também não me lembro direito, já que rolou mesmo muita birita e drogas naquele dia. Mas me lembro que pensei: 'acho que esses rapazes são mesmo melhores que meus meninos, como andam dizendo por aí'. Dias depois, usei esse argumento em uma briga com o Mick. Ele jogou uma garrafa de wisky na minha cara e eu fiquei sem dois dentes na frente. Fiquei banguela. Eu era chamada de 'a groupie banguela'. Injustiça. Eu não era groupie. Eles é que vinham ao meu cafofo. Eu não viajava atrás eles. A gente viajava junto.
Voltando ao show. Foi bom. Até mais que isso. Foi um show muito bom. Excelente mesmo. Mas não me lembro direito. Já disse que não me lembro direito? Saí de lá com George. Acho que o levei pro meu cafofo. E acho que Keith estava lá. Acho que rolou briga. Ou uma confraternização. Não sei. Nunca me lembro bem das coisas daquela época. Dizem que isso é normal depois que a gente morre.
Um ano depois, ainda sem os dentes da frente, eu morri. Disso eu lembro. Foi em 1970. Meus meninos estavam em turnê. Só me encontraram vários dias depois. Minha gata Angel já tinha comido minha orelha esquerda. Meus meninos fizeram um belo funeral para mim. Foi realmente muito lindo. Teve música, birita, substâncias. Teve gente que transou lá mesmo, no funeral, perto do meu caixão. Eu pedi para alguns amigos fazerem isso. Ato de última vontade. Era o que eu queria: amor, confraternização e loucura. E caixão fechado, porque eu não estava muito bonita de ver.
Pois bem. Nessa encarnação, eu não fui em um show sequer dos meus meninos. Falta de oportunidade, eu acho. E uma coisinha também contribuiu para esse desencontro. Também não fui em show do Paul McCartney. Porque meus meninos não gostavam dele.
Procurei meus meninos nessa vida. Já falei isso? Não? Pois é. Procurei. Lembram do último show deles aqui no Brasil? Eu ia naquele show. Cheguei ao Rio, comprei ingresso e tudo o mais. Só que resolvi procurar por Mick e Keith antes do show. Foi difícil, burlei segurança e tudo o mais. Bom... Mick não acreditou em mim, ficou irado, me processou e hoje eu há uma ordem restritiva contra mim. Não posso me aproximar dele. O mínimo é 5 km. Não posso nem mesmo comprar um ingresso de show dele. É por isso que eu nunca fui em um show deles. Keith, cujo coração sempre foi mais puro, acreditou em mim. Mas também lembrou de meu lance com o George e ficou meio ressabiado. Hoje, a gente troca uns e-mails mas coisas não são mais como antigamente...
O texto acima foi produzido durante a chamada "Operação Marajó", o regime hipocalórico que eu estou sofrendo para poder não fazer (muito) feio nas minhas férias. Creditem os delírios à fome que eu tenho passado. Ou acreditem em tudo. Não me lembro mesmo direito das coisas. Já disse isso? Ah! E eu gosto do Paul McCartney. Nessa encarnação. Apesar de ainda preferir o George. Uh!
Fui a um show do McCartney quando ele ainda tocava na banda. Isso foi em 1969. Naquela época, eu era uma artista de vanguarda, com pouco dinheiro e talento duvidoso. Mas era bem gostosinha. Eu vivia em Londres e tinha como amigos mais próximos Mick e Keith. Era um pouco mais velha e experiente que eles. Ensinei muita coisa para eles. Éramos um trio. Eu morava em um sotão no centro de Londres. Era meu cafofo. Eu dizia que era ateliê. Pensando bem, tirando a moldagem dos pênis dos dois e uma escultura de minha gata Angel, eu não produzi muita coisa. Mas estou me perdendo aqui... Bom... onde eu estava mesmo. Ah! Mick e Keith. Eles sempre estavam comigo. Vivemos loucuras. Os três. Ora com um, ora com outro. Ora os dois sem mim. De vez em quanto, tudo junto e misturado. Não me lembro de todas nossas loucuras. Ninguém daquela época se lembra de todas as loucuras que fez. Na verdade, eu usei tantas substâncias naquela vida que eu tenho bad trips em minha atual existência careta.
Bom... mas voltemos ao show da banda do McCartney. Eu era amiga do Ringo. Já contei isso? Cara legal, entrou naquela banda de gaiato, mas sabia aproveitar o que a vida tinha lhe oferecido. Ringo convidou, eu fui. Um lance no telhado da gravadora. Achei bacana o show ser no telhado. Curto telhados. Fui. Levei minha gata Angel. Ela também curte telhados.
Fui também pelas drogas e pela birita. Ringo me pediu pra não levar meus meninos (era assim que eu chamava Keith e Mick), porque poderiam causar problemas. Não contei pros meninos que eu ia. Foi um bom show. Também não me lembro direito, já que rolou mesmo muita birita e drogas naquele dia. Mas me lembro que pensei: 'acho que esses rapazes são mesmo melhores que meus meninos, como andam dizendo por aí'. Dias depois, usei esse argumento em uma briga com o Mick. Ele jogou uma garrafa de wisky na minha cara e eu fiquei sem dois dentes na frente. Fiquei banguela. Eu era chamada de 'a groupie banguela'. Injustiça. Eu não era groupie. Eles é que vinham ao meu cafofo. Eu não viajava atrás eles. A gente viajava junto.
Voltando ao show. Foi bom. Até mais que isso. Foi um show muito bom. Excelente mesmo. Mas não me lembro direito. Já disse que não me lembro direito? Saí de lá com George. Acho que o levei pro meu cafofo. E acho que Keith estava lá. Acho que rolou briga. Ou uma confraternização. Não sei. Nunca me lembro bem das coisas daquela época. Dizem que isso é normal depois que a gente morre.
Um ano depois, ainda sem os dentes da frente, eu morri. Disso eu lembro. Foi em 1970. Meus meninos estavam em turnê. Só me encontraram vários dias depois. Minha gata Angel já tinha comido minha orelha esquerda. Meus meninos fizeram um belo funeral para mim. Foi realmente muito lindo. Teve música, birita, substâncias. Teve gente que transou lá mesmo, no funeral, perto do meu caixão. Eu pedi para alguns amigos fazerem isso. Ato de última vontade. Era o que eu queria: amor, confraternização e loucura. E caixão fechado, porque eu não estava muito bonita de ver.
Pois bem. Nessa encarnação, eu não fui em um show sequer dos meus meninos. Falta de oportunidade, eu acho. E uma coisinha também contribuiu para esse desencontro. Também não fui em show do Paul McCartney. Porque meus meninos não gostavam dele.
Procurei meus meninos nessa vida. Já falei isso? Não? Pois é. Procurei. Lembram do último show deles aqui no Brasil? Eu ia naquele show. Cheguei ao Rio, comprei ingresso e tudo o mais. Só que resolvi procurar por Mick e Keith antes do show. Foi difícil, burlei segurança e tudo o mais. Bom... Mick não acreditou em mim, ficou irado, me processou e hoje eu há uma ordem restritiva contra mim. Não posso me aproximar dele. O mínimo é 5 km. Não posso nem mesmo comprar um ingresso de show dele. É por isso que eu nunca fui em um show deles. Keith, cujo coração sempre foi mais puro, acreditou em mim. Mas também lembrou de meu lance com o George e ficou meio ressabiado. Hoje, a gente troca uns e-mails mas coisas não são mais como antigamente...
O texto acima foi produzido durante a chamada "Operação Marajó", o regime hipocalórico que eu estou sofrendo para poder não fazer (muito) feio nas minhas férias. Creditem os delírios à fome que eu tenho passado. Ou acreditem em tudo. Não me lembro mesmo direito das coisas. Já disse isso? Ah! E eu gosto do Paul McCartney. Nessa encarnação. Apesar de ainda preferir o George. Uh!
Quinta-feira, Novembro 11, 2010
Quinta-feira, Novembro 04, 2010
Sobre política de alguém que não é do ramo!
Ó! Texto da Clarah Averbuck, um dos meus links aí do lado. Essa guria sempre tem o que falar e sabe como dizer. Então, leiam!
http://clarahaverbuck.virgula.uol.com.br/?p=920
http://clarahaverbuck.virgula.uol.com.br/?p=920
Novidades
O ponto alto do meu ano foi essa passagem de outubro pra novembro!
Nesse feriado encontrei pessoas que eu amo muito e fazem parte da minha vida há mais de vinte anos. Alguma eu não via há 20 anos!!! Quero todos perto de mim sempre!
Dia primeiro nasceu José Roberto Fortunato Bruno! Filho do Lysso e da Camila, meu pretinho básico e mais um flamenguista pro clã dos Brunos (titia já providenciou o uniforme). Queria muito que meu pai saisse lá da nuvenzinha pra ver seu neto xará!
Meu coração é só amor, saudade e vontade de ficar junto dos meus!
Nesse feriado encontrei pessoas que eu amo muito e fazem parte da minha vida há mais de vinte anos. Alguma eu não via há 20 anos!!! Quero todos perto de mim sempre!
Dia primeiro nasceu José Roberto Fortunato Bruno! Filho do Lysso e da Camila, meu pretinho básico e mais um flamenguista pro clã dos Brunos (titia já providenciou o uniforme). Queria muito que meu pai saisse lá da nuvenzinha pra ver seu neto xará!
Meu coração é só amor, saudade e vontade de ficar junto dos meus!
Segunda-feira, Outubro 18, 2010
Decidido: de hoje em diante não ouço mais música que eu não ame!
Quando eu digo amar, é amar mesmo! Porque música que eu não gosto eu já não ouço mesmo. No meu mundo não existe pagode, axé, funk, sertaneja, sejam elas as versões universitárias ou Mobral da coisa.
Mas minha atual decisão é muito mais abrangente.
Daqui pra frente eu não ouço Djavan, Clube da Esquina, Paulinho Pedra Azul ou Moska, Ana Carolina, Lenine, Baleiro, Chico César, Nando Reis, rock barango dos anos 80 ou qualquer outra dessas coisas que antes, às vezes, eu suportava por amizade, para não caçar confusão, porque estava no elevador, ou em uma festinha de um colega, ou no Biri Biri (se bem que lá eu ouço qualquer coisa e nada me incomoda). Nem Cássia Eller, que antes eu ouvia por amor ao Otto, não será mais aceito. A não ser Que o Deus Venha. E Je ne regrette rien. E Um tiro no coração. Só. Elis, somente as músicas que ela cantar do João Bosco e Aldir Blanc. Enjoei.
Agora, para eu ouvir, eu tenho que amar!
E meu embasamento para tal decisão é puramente convicção espiritual:
Quero morrer ouvindo as nega! Ou Nina Simone ou Beth Carter ou Ella Fitzgerald ou Aretha Franklin ou Etta James ou Billy Holliday ou Clementina de Jesus. Quero que minha última música seja My baby just care for me. Ou Roxá. Ou Embala eu (essa deleita os ouvidos e já encomenda a alma junto).
O mundo anda tão complicado, tão violento, que de uma hora pra outra eu posso morrer de susto, de bala ou vício (essa música eu ainda ouço) e aí, a última lembrança que eu terei desse mundo será... Maria Gadú??? Ah, por favor!
Quando eu digo amar, é amar mesmo! Porque música que eu não gosto eu já não ouço mesmo. No meu mundo não existe pagode, axé, funk, sertaneja, sejam elas as versões universitárias ou Mobral da coisa.
Mas minha atual decisão é muito mais abrangente.
Daqui pra frente eu não ouço Djavan, Clube da Esquina, Paulinho Pedra Azul ou Moska, Ana Carolina, Lenine, Baleiro, Chico César, Nando Reis, rock barango dos anos 80 ou qualquer outra dessas coisas que antes, às vezes, eu suportava por amizade, para não caçar confusão, porque estava no elevador, ou em uma festinha de um colega, ou no Biri Biri (se bem que lá eu ouço qualquer coisa e nada me incomoda). Nem Cássia Eller, que antes eu ouvia por amor ao Otto, não será mais aceito. A não ser Que o Deus Venha. E Je ne regrette rien. E Um tiro no coração. Só. Elis, somente as músicas que ela cantar do João Bosco e Aldir Blanc. Enjoei.
Agora, para eu ouvir, eu tenho que amar!
E meu embasamento para tal decisão é puramente convicção espiritual:
Quero morrer ouvindo as nega! Ou Nina Simone ou Beth Carter ou Ella Fitzgerald ou Aretha Franklin ou Etta James ou Billy Holliday ou Clementina de Jesus. Quero que minha última música seja My baby just care for me. Ou Roxá. Ou Embala eu (essa deleita os ouvidos e já encomenda a alma junto).
O mundo anda tão complicado, tão violento, que de uma hora pra outra eu posso morrer de susto, de bala ou vício (essa música eu ainda ouço) e aí, a última lembrança que eu terei desse mundo será... Maria Gadú??? Ah, por favor!
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